Da simbologia das vestes à culinária da sorte, os costumes de Réveillon refletem a diversidade cultural e o otimismo do povo brasileiro.
Hoje, ao pôr do sol, milhões de brasileiros darão início a um dos maiores espetáculos culturais do mundo: a celebração do Réveillon. O país se veste de branco para se despedir de 2025 e receber 2026, em um movimento que mistura religiosidade, superstição e a busca incessante pela paz e prosperidade. O fenômeno, que lota o litoral de norte a sul, vai muito além de uma simples festa de calendário, consolidando-se como uma identidade nacional.
A Pureza no Traje
A imagem das praias brasileiras cobertas por um "mar de gente" vestida de branco é o símbolo máximo da data. A tradição tem raízes profundas na religiosidade de matriz afro-brasileira, especificamente no Candomblé, onde o branco simboliza a paz e a purificação.
Essa herança cultural dialoga harmoniosamente com a tradição cristã; no dia 1º de janeiro, a Igreja Católica celebra Santa Maria Mãe de Deus e o Dia Mundial da Paz. O branco, presente desde o batismo das crianças, reafirma o início de uma nova jornada, transformando o ato de se vestir em um manifesto coletivo por harmonia.
O Ritual das Águas e da Mesa
Para muitos, a virada só é completa com o "batismo" do mar. Em pleno verão, o banho de mar e o descanso à beira-mar tornam-se realizações pessoais. Os rituais são variados: pular as sete ondas, lançar flores às águas e elevar preces sob o brilho dos fogos de artifício.
À mesa, a superstição dita o cardápio. Para garantir que o ano "ande para frente", as aves são evitadas — por ciscarem para trás. O protagonismo fica com o porco, que fuça para a frente, e os peixes. Complementando a ceia, as lentilhas e as sementes de romã atraem fartura, enquanto as doze uvas carregam os desejos para cada mês do novo ciclo. O brinde, presente em todas as esferas sociais, sela o compartilhamento de vitórias e esperanças.
O Desafio do Deslocamento
Nem tudo, porém, é fluidez. O Réveillon é marcado por grandes deslocamentos que testam a paciência do turista. Em regiões como o Litoral Norte paulista, o congestionamento é uma certeza anual. Cidades litorâneas chegam a receber dez vezes a sua população habitual, desafiando infraestruturas que não foram projetadas para tal contingente.
Especialistas alertam: para quem deseja fugir dos transtornos e da superlotação, o planejamento para outros períodos do ano é o caminho. Contudo, para os que não abrem mão da energia da virada, o cenário das praias brasileiras sob o sol do verão continua sendo, indiscutivelmente, um dos mais belos do planeta.
Seja no litoral ou no interior, o espírito é de renovação. Que venha 2026. Feliz Ano Novo!
Publicado no portal LN21.com.br

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